Domingo, 11 de Outubro de 2009

Nota de abertura.

Nunca o conceito de Voyeurismo foi tão cristalizado como na época que vivemos.

O Voyeurismo do fulano que espreita a janela alheia ou o Voyeurismo do tarado que furtivamente observa o casal de namorados no parque, surfou a crista da onda das novas tecnologias e da globalização. Encheu-se de si mesmo e agora á a actividade principal no planeta.
 
Não vou enumerar a parafernália de dispositivos e tecnologias disponíveis para comunicarmos uns com os outros. São demasiados. Questiono, isso sim, a sua necessidade em tal número e multiplicidade de plataformas. Que utilidade pode ter, seja para quem for, a descrição pormenorizada do resort brasileiro onde fulano de tal passou duas semanas de ferias que vão demorar três anos a pagar? E as fotografias que testemunham o evento?
 
Que necessidade há em saber a qualquer momento, em tempo real, onde está a fulana de tal e o que está a fazer? Porque é que a populaça fica tão contente em receber postas de pescada dos seus supostos ídolos via SMS ou Twitter? Que mania é esta de fotografar, filmar, documentar, as coisas mais banais e insignificantes da existência?
 
Deixa-se de viver e sentir o momento para o registar. As sensações vêm depois. Posteriormente quando se visiona o registo. A sensação de deleite e conforto que provocam, são em tudo igual ás de quando se visiona o registo de outra pessoa qualquer, que nem se conhece. Agora tudo são sensações em segunda mão. Já não há em primeira. Estão extintas, ou quase.
 
Deixou de se sentir e formar opinião. Deixou-se de ser crítico sobre as coisas para se passar a descrevê-las e catalogá-las vazias de emoção ou sentimento. Embora se utilize á mesma o “Altamente!”, “Que cena!”, “Foi tão giro!”, “Adorei aquilo!”. Sem terem verdadeiro significado. As expressões e em ultima análise as palavras, cessaram a sua correlação directa a sensações e sentimentos. São agora cromos para troca. Nos Blogs, Twitter, hi5, Facebook, nas SMS e MMS.
 
Recuso alinhar na decadência e degradação.
Tenho opinião e não tenho vergonha de a mostrar.
Mesmo que seja apenas uma reflexão menor.
publicado por Carlos Paiva às 12:46
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1 comentário:
De ónix a 25 de Outubro de 2009 às 23:05
Vivemos num mundo qm que o lugar para as sensações e sentimentos é o último da fila.
É a tua reflexão... e não a considero menor.

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