Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Prismas

 

1. Pop.

 

Acordei.
Não havia café.
Fui beber á rua.
 
 
2. Rock.
 
Acordei de manhã.
Fui automaticamente á cozinha.
Necessito absolutamente do café da manhã para acordar.
O pote estava vazio. Tinha acabado sem eu dar por isso.
Vesti-me contrariado e fui á procura do estimulante matinal á rua.
A bica soube horrivelmente mal.
Sorvi o veículo de cafeína sem entusiasmo.
 
 
3. Goth.
 
Acordei para uma manhã cinzenta e húmida.
Levantei-me e fiquei de olhar parado e vazio á janela, salpicada pelas gotas de chuva. Senti a tristeza reclamar o território que o sono tinha abandonado. Combati a invasão sem grande sucesso. As gotas de água escorriam placidamente pelo vidro abaixo levando a razão com elas.
Reuni os cacos minúsculos de ânimo que restavam, espalhados, escondidos, no meu ser. Força anímica quase insuficiente para me arrastar até á cozinha. Precisava de um café para espantar o cinzento do Outono que teimava em contagiar a minha alma.
Tinha fé que uma dose de cafeína me abanasse o suficiente para olhar o novo dia como isso mesmo. Um novo dia. Mas era só fé.
O meu universo frágil colapsou quando vi o pote vazio. Parecia que toda a realidade se tinha organizado em segredo, nas minhas costas, com o objectivo de dificultar, ou até mesmo, excluir, a minha presença. Quase chorei.
Agarrei em peças de roupa ao acaso e vesti-me lentamente. Tentei com todas as forças conter o cinzento invasor que por esta altura já era um negro opressivo sem nada para conquistar.
Saí á rua como um autómato. Flutuei pelas ruas, entre edifícios e construções, como se fosse feito de vapor. Se me cruzei com pessoas, não o notei.
Dei por mim ao balcão de um café qualquer. A realidade chegava abafada e desfocada. Parecia irreal. Não consegui perceber uma única palavra lançada para o ar ou trocada em diálogo á minha volta. O que me chegava ao cérebro era apenas ruído de fundo. Incompreensível.
Sem entusiasmo, sorvi a bica, horrível, numa chávena demasiado quente, a pontos de magoar os dedos. A primeira sensação a penetrar a névoa onde estava imerso foi dor. A primeira sensação reconhecida pelo meu órgão pensante. Dor.
O novo dia tinha começado.

  

 

4. Metal.

 

What the fuck???

 

 

publicado por Carlos Paiva às 12:54
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De ónix a 9 de Novembro de 2009 às 20:02
Gosto do que escreves e como escreves... há dias assim. Com toda a certeza virão outros com algum sol, que irão ajudar a levantar esse "ânimo feito em cacos".

Comentar post

.sobre o autor

.posts recentes

. It's not going to suck it...

. Alice in bullshitland

. Dogma

.arquivos

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

.chulos criativos

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape

.subscrever feeds